segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Promessa quebrada

Ainda me lembro
De suas promessas quebradas
Os dias de mãos dadas
E de todas as suas palavras.

Asas quebradas,
Caindo em um abismo
Suplico por uma chance
De ser salva por você.

E um dia qualquer,
Até parece ser sorte
Mas, por um deslize,

Até o doce me parece a morte.

(Por Emily Colombelli, minha querida aluna e poetisa). 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Olá

Oi, raros porém especiais leitores deste blog.

Sei que ando meio sumida daqui, inclusive desculpe a quem busca pelas atualizações (ooo pessoas). Enfim, escrevo-lhes para dizer que publico textos em dois sites/blogs coletivos, o "Retratos da Alma" e a "Confraria dos Trouxas". A quem interessar possa, meus textos estão lá.

Beijo beijo.

Dani.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Das razões que me são inexplicáveis

Faz vinte minutos que estou olhando para um arquivo em branco no monitor enquanto repouso os dedos sobre o teclado mudo e tento escrever sobre as razões do meu tanto te querer. É difícil encontrar palavras que eu nunca tenha usado para falar sobre você, então me perdoe se eu soar repetitiva — mas é que você se repete o tempo todo em mim.

Trinta e dois minutos, quatro linhas.

Penso em escrever que te quero porque do seu lado eu sinto que encontrei o meu lugar, parece que minha alma sempre tão perdida volta para casa toda vez que estou contigo. Eu poderia dizer que te quero porque quando você segura a minha mão eu sinto um arrepio percorrer o meu corpo e eu estremeço toda, parece que você entra pelos meus poros e ocupa cada espaço vazio que tenho em mim. Eu gosto dessa sensação que me deixa nervosa e me acalma ao mesmo tempo, você é o duelo entre o meu caos e a minha paz.

Quarenta minutos, dois parágrafos.

Ou eu poderia dizer que te quero porque quando você me abraça eu sinto toda a proteção de que alguém precisa para viver em paz, por isso eu pedi para morar no seu abraço — porque não é de hoje que você vive em mim. Quem sabe eu poderia dizer que te quero porque o jeito como você toca minha pele me faz sentir viva — e pela primeira vez em muito tempo eu estou gostando de viver.

Cinquenta e quatro minutos, meio texto.

Paro de escrever neste instante e olho de novo a foto em que você está sorrindo, parece-me tão feliz, e sorrio porque a sua felicidade me faz feliz também. Suspiro e volto a escrever, ou tento, e continuo pensando no que dizer sobre as razões do meu tanto te querer.

Sessenta minutos, preciso de um desfecho.

Eu acho que te quero porque sinto minha paz restabelecida toda vez que te vejo e sei que poderia passar um dia inteiro apenas te olhando, quase sem respirar para não quebrar o nosso silêncio — porque eu gosto do jeito como nossos olhos conversam. Ou talvez eu te queira porque sei que só ao seu lado vou ser feliz, e não me pergunte como tenho tanta certeza assim, eu apenas sei que nunca tive tanta certeza na minha vida.

Uma hora e dez minutos, o tempo passa e eu não canso de pensar em você.

A verdade é que eu poderia escrever páginas e páginas listando as razões do meu tanto te querer, mas penso que me faltariam palavras para explicar o que nem eu consigo entender.

Não há como medir o quanto te quero, não há como descrever por que eu te quero, não há como explicar que na verdade eu não te quero: eu preciso de você.

E ponto final. 

(Publicado originalmente na Confraria dos Trouxas). 

domingo, 16 de março de 2014

É tão bom te ver dormir

Sabia que você fica ainda mais encantador enquanto dorme? É tão bom te ver dormir, me sinto reviver por dentro. Gosto de me sentar ao seu lado e passar a mão no seu rosto lentamente enquanto decoro cada detalhe seu e você me olha de um jeito que me desmonta e me refaz ao mesmo tempo.

Seus olhos vão pesando e eu sinto os espasmos de quem está pegando no sono, continuo passando a mão no seu rosto até você dormir. A essa altura você talvez nem sinta mais o meu toque, mas eu insisto em te acarinhar porque eu me sinto mais feliz com sua pele nos meus dedos. Você dorme e parece que eu estou sonhando.

Ontem eu te vi adormecer como quem senta para admirar um pôr-do-sol. Eu poderia te transformar em uma fotografia que meus olhos não se cansam de ver. Quer ser o meu entardecer? Cada vez que seu peito subia e descia tão serenamente, sentia minha paz sendo restabelecida, sentia cada pedaço meu se juntando e recompondo tudo o que já fora destruído em mim. Você é a calmaria em meio ao meu caos. Queria ficar sempre ao alcance da sua respiração. Eu não dormiria só para poder te olhar por mais tempo, como se isso fosse capaz de mantê-lo sempre perto do meu olhar. Quer ser a minha insônia?

O jeito como você sorriu quando acordou me desconcertou e eu fiquei pensando o quanto seria feliz se o seu sorriso estivesse bem diante dos meus olhos quando eu os abrisse todas as manhãs. Quer ser o meu amanhecer?

Senti meus olhos se inundando enquanto eu sorria ao te observar, e foi então que percebi que você me faz derramar. Logo eu, que sempre pensei ser tão vazia.

Ver você dormir é minha nova definição de paz.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

E quem é que nunca desejou morar em um abraço?

“Obrigada por não desistir de mim", ele me diz em tom melancólico apesar de feliz, apertando ainda mais seu corpo contra o meu e segurando minha mão como nunca havia feito. Ouço a angústia misturada ao alívio em sua voz e, enquanto me viro de frente para ele, busco encontrar o seu olhar. “Como se eu realmente pudesse”, devolvo-lhe sorrindo. Enrosco meus braços em seu pescoço e meu olhar agora está fixo no dele. Sinto que preciso eternizar esse momento e aproximo meus lábios desenhados em um meio sorriso trêmulo dos seus lábios tão bem riscados em seu rosto bonito, e o beijo ternamente. Fecho os olhos por um momento na tentativa de conter as lágrimas que eu jurava terem secado desde que ele partiu sem me dar esperanças de retorno. Mas as lágrimas me fogem aos olhos e eu choro e isso me faz sentir que estou viva. Ele voltou para me resgatar do poço de solidão que eu mesma cavei durante todo esse tempo. Sorrio e afasto meus lábios dos dele, abominando toda e qualquer lembrança amarga que as lágrimas poderiam me trazer neste instante. Não, são lágrimas de felicidade, de alívio por não ter morrido, de gratidão por ele ter me salvado de mim mesma. Sussurro um “obrigada” com a voz entrecortada e ele me aperta contra seu peito e beija-me na altura da testa. Eu, que sempre me senti perdida, naquele instante percebi que ele era o lugar onde eu tantas vezes quis estar. E desejei morar para sempre em seu abraço. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Se dói comigo?


Desculpe-me, antecipadamente, por ocupá-la tão tarde. Precisava falar. Precisava chorar sobre o ombro de alguém, mas as lágrimas não descem mais. Tenho a impressão de ter secado. Não sei se conseguiria traduzir o que sinto agora e seria vão ter uma crise de verborragia em mais um e-mail. E você também não vai querer me ouvir. Eu sei. É que me sinto completamente inabitável, no momento. E espero que não seja absurdo te pedir um espaço para que você me guarde por algum tempo aí dentro de você. Não consigo segurar todo esse caos sentimental agora. Você entende? Porque não consigo me compreender. Se possível, me traga uma camisa de força. Me interna em alguma clínica que cure dor de amor. Eu quero que minha alma fique nua, pela primeira vez. E eu não me importo que os vizinhos vejam. Eu quero gritar também e não vou ligar, se acabar preso. Eu quero me rasgar inteiro e sair correndo para qualquer lugar que não seja aqui dentro de mim. Mas toda vez que eu corro de mim, eu sempre acabo caindo no mesmo buraco onde a dor mora. E não há gole de cachaça barata ou cigarro vagabundo que dê jeito. Eu me afogo dentro da dor, dentro do copo, dentro dessa vida que quase não parece ser minha. Ninguém vê quem sou nem o que sinto. Eu sou uma máscara, porque ela entranhou em mim e eu não consigo mais tirar. E toda vez que consigo ser feliz, acabo sendo um feliz triste. E toda vez que eu ganho da vida, acabo ganhando triste. E toda vez que eu fico rodeado de pessoas, a máscara brilha num sorriso que não é meu e eu continuo triste. Será que acabei por me tornar uma caricatura mal feita de mim mesmo? Porque o que sou não condiz com o que as pessoas vêem. Nem com o que vejo em mim. Acho que me perdi quando amei. Levaram-me de mim e eu não consigo me encontrar em lugar nenhum dessa casa, dessa cidade, desse país, do mundo... Eu tenho me esforçado para ser parte, juro para você, mas acho que essa metade que ficou comigo é o todo que sou. E vou ter que me conformar com ela, se eu quiser ser feliz um dia. E é esse conformar que eu não consigo. Eu ando para a frente, mas meus pensamentos ficaram no passado. E toda vez que eu acho que dei um passo certo, eu percebo que caí em mais uma pegadinha da vida, onde eu acabo tropeçando nas minhas lembranças e caindo sobre a minha dor outra vez e outra vez e outra vez... Você sabe como é que se colocam pontos finais em nossas histórias? Ensina-me, um dia. A minha vida só possui vírgulas e reticências. E eu preciso expurgar alguns maus sentimentos da minha memória. E cá estou eu falando demais, querendo demais, te pedindo demais, te enchendo demais... Segura a minha dor por mim. Só um pouquinho. Só por hoje. Deixa-me morar em você? Prometo não bagunçar nada, se você prometer me guardar em ti. 

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É difícil explicar o que senti depois de ler todas essas palavras que pareciam sair do monitor e me atingir de uma forma tão pungente que me fez sentar por alguns instantes e chorar. Queria ter você aqui deitado no meu colo para que eu pudesse te ouvir e fazer carinho nos seus cabelos e enxugar suas lágrimas que a essa altura estariam misturadas com as minhas e poder lhe dizer “calma, meu querido, calma”. A verdade é que eu nunca sei o que dizer quando você me fala de você, dos seus medos, do seu não-saber-o-que-sentir, porque eu sinto o mesmo que você (ou nada sinto?), mas confesso que fico melhor por saber que não estou só. Por um momento, olho em volta e a desolação do meu quarto nessa madrugada insone e sufocante me faz querer estar em qualquer lugar que não seja eu. Eu deixo você morar em mim se me deixar ficar em você. Tudo o que tenho é a minha solidão e o desejo de ter você aqui para encaixar seus excessos nos meus vazios e, quem sabe assim, nós nos completaríamos. Talvez nós dois só precisemos mesmo de calma, talvez nós só precisemos um do outro porque não podemos viver em nós mesmos. Como fugir dessa tempestade de angústia que deságua dentro de nós? Você se sente só e eu entendo. Você não sabe o que sentir e eu sinto o mesmo. Você se afoga em mágoas e eu tento te salvar a vida, mas sinto me afogar também. Você se sente perdido e eu seguro a sua mão porque estou perdida também. Podemos seguir junto esse caminho incerto que a vida desenhou no nosso chão. Será que chegaremos a algum lugar nessa viagem que fazemos dentro de nós? Eu não sei. Mas eu posso te fazer companhia. Você não está só. Eu tenho vazios suficientes para te abrigar em mim. E se eu precisar extravasar os meus excessos, você me deixa transbordar em você.
Sobre os pontos finais, eu tenho mania de vírgulas e me calo sempre em reticências. E quantas palavras não ditas cabem nelas, eu não sei. Acho que nossa história é meio que sem fim. Continuemos a escrever, meu querido, que a escrita é a forma mais discreta de sangrar.
Desculpe se minha resposta não lhe dá o conforto de que tanto precisa nessa dor que é ser você.  Sei que poderia me derramar tanto quanto você se derramou, mas a verdade é que eu estou vazia.

Dani Lusa

Este texto, tão doído para mim, foi escrito com o meu querido Cadu, que entende e que sente o que eu sinto. Sim, eu gosto de me doer com você.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Amar o perdido

Houve um tempo em que eu acreditava em eterno, até que eu te perdi.
Te perder foi a pior coisa que já aconteceu em toda a minha vida. Deixou meu pobre coração totalmente confuso. Esquecer você é algo impossível, mesmo eu querendo.
Sinto saudades do tempo em que te tocar era a melhor coisa do mundo, porém do nada, senti você indo embora, deixando apenas saudade.
Tudo o que vivemos juntos ficou para trás.
Todos diziam que o nosso amor não duraria. Mostramos que, mesmo com a distância, nosso amor continua firme e forte e ele é lindo, mesmo com nossos defeitos.
Tudo o que eu quero, ou melhor, que eu preciso, é você aqui.
Não consigo me conformar com o porquê de o destino ter nos separado. Um amor tão grande e bonito sendo separado num piscar de olhos.
Amar o perdido é difícil, mas preciso para continuar feliz. Amar o perdido é chorar sozinha e baixo, para que ninguém escute. Amar o perdido é simplesmente amar aquilo que foi seu e que um dia, quem sabe, ainda será. 


Por Marianna Nardello Buche, aluna e escritora querida minha. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Embriaguez (senti)mental

A ebriedade dessa madrugada insone invade meu quarto e tonteia meus pensamentos que se perdem e tropeçam e caem em cima de você. Por que você ainda está aqui? Já pedi que saísse, que fosse embora tão rapidamente quanto chegou na minha vida, que me deixasse em paz e só. Ao meu lado na cama apenas um espaço vazio e no lençol branco ainda estão as marcas do vinho que bebemos e depois rimos e nos abraçamos e nos amamos tão ardentemente pela última vez. Pensei que incendiaríamos.

Você deixou marcas no lençol e na minha alma.

Num ímpeto de loucura e saudade e fúria eu arranco o lençol e me aperto contra ele — ainda sinto o seu cheiro — e o jogo no canto do quarto numa tentativa de afastar de mim as lembranças que você deixou aqui e que agora me fazem perder a noção do tempo e me tiram a sobriedade. Em vão.

Sento na cama e tomo um gole de vinho que esquenta minha boca que antes guardava os beijos seus e que desce rasgando a minha garganta tão cheia de nós e os desata. Finalmente consigo chorar. A cada gole de vinho vou me desfazendo de nós e me sentindo mais livre de você. Preciso desatar a gente, nos desfazer. Não entendo mais o que sinto, não sei mais o que pensar.

Embriaguez (senti)mental.

O cheiro do álcool anestesia meus pensamentos, o vinho me embriaga e amortece a minha dor. Meu coração acelera e eu transpiro você, é como se eu estivesse te expulsando de mim pelos poros. Você escorre pela minha pele assim como suas mãos deslizavam pelo meu corpo molhado nas noites quentes de outono quando você quase me consumia e meu suor se misturava ao seu e nossas peles quase se fundiam num misto de amor e loucura e paixão.

Eu absorvi você.

Tomo mais um gole de vinho e choro mais um pouco. Tudo gira fora e dentro de mim e meus pensamentos esbarram com você e caem a todo instante. E eu caio também.

A taça que seguro agora com as duas mãos está quase vazia e eu estou quase me esvaziando de você. Preciso de um banho para me lavar de ti. A água que toca minha pele me lava e leva embora os vestígios daquilo que um dia foi o nosso amor. Eu deito e choro e durmo tendo a solidão como companhia e ela me abraça como um dia você fez.


Bebi sua saudade a noite inteira e estou com ressaca de você. Sinto vontade de vomitar o que restou de você em mim. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dos nós que nunca foram laços

E eu que achei que você nunca tivesse saído de mim, de repente te vejo do lado de fora.

Quem foi que trancou a porta do peito meu? Você saiu e eu nem percebi, você volta e surpreende. As janelas da minha alma estão abertas, consegue pular? Vejo pelo vidro meio embaçado os seus olhos de tristeza que se prendem ao meu olhar de saudade e isso me dói, uma dor que consome cada pedaço de mim que restou de sua partida.

Você entra.

Cara a cara, eu e você. Quanto tempo você esteve lá fora, por que demorou para voltar ao abrigo que sempre foi seu? Talvez você tenha dado tempo demais a nós dois, o tempo muda as pessoas e eu mudei também. Acho que mudei mais do que deveria, acho que você voltou porque não encontrou morada melhor, porque sabia que as portas do meu existir estariam sempre abertas para você, que sempre teve as chaves do meu ser. Você me olha e finge não ver, você me toca e eu finjo não sentir, eu te sinto e finjo não estar.

Eu suspiro e quase te mato, você respira e tenta me reviver.

Estranhei os olhos em que sempre me reconheci. Afinal de contas, meu bem, foi você ou fui eu que mudei? Sua pele encosta na minha e o arrepio agora parece ser de temor por perceber que trago sepultado no peito o meu sentir. Sua boca quente toca meus lábios tão frios e eu me congelo porque foi assim que aprendi a me amortecer e não mais sentir o que me seria vital e que causaria minha morte se acaso me faltasse. Você me faltou e eu morri.

Quem foi que desatou a gente? Se é que um dia houve nós. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Me diz

Meu bem, eu te quis.

E como eu te quis. Tentei, fiz de tudo para te fazer feliz. Desenhei meus passos junto aos seus, tracei planos que se cruzavam com os seus, tive tantos sonhos contigo mas você me acordou e isso doeu. Seu adeus me dilacerou e eu sangrei todos os dias, parecia que eu fosse morrer e não morria, eu precisava viver mas não vivia, eu queria te sentir e não podia. O que acontece com as palavras que nunca são ditas,

o que foi que eu te fiz?

E quando eu curei minhas feridas e cicatrizei suas lembranças, quando eu me refiz sem os pedaços que você levou de mim, eis que você volta e me desconstrói de novo e abre minhas cicatrizes e me faz sangrar como antes me fez e eu penso que vou morrer toda vez que você me toca, me olha, me abraça, me fala, eu quase morro,

por um triz.

Você me bagunça de um jeito que fica difícil organizar, não consigo me achar, não sei mais o que pensar. Você chega perto de mim e o seu tom me descompassa e me balança e eu tropeço nas minhas certezas que se misturam com as suas lembranças e eu caio de cara na saudade e me perco no meio da nossa confusão. E é então que eu percebo que ainda te quero, que eu sempre te quis mesmo quando eu jurei pra mim que não mais te queria, mesmo quando eu lhe disse que tudo bem, que passou, que chega, que acabou.

Te quero mais do que sempre quis.

E eu entendo que não adianta fugir porque meus caminhos são sem saída, me sinto presa a você. Quem foi que marcou no meu destino os passos seus? Não sei, moço, só quero ser feliz. E você, o que quer de mim?

Me diz, meu bem, me diz.


Publicado originalmente na Confraria dos Trouxas.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Das coisas que eu queria explicar

Eu não sei como explicar, mas vou tentar. Acho que foi o seu olhar — tão bonito, tão marcante, tão forte a ponto de prender o meu. Pode ter sido o seu sorriso — tão sincero, tão bem desenhado, tão radiante a ponto de me tontear. Ou foi o seu jeito — tão tímido, tão rápido, tão desajeitado a ponto de me desajeitar também. Na verdade, foi o seu abraço — tão forte, tão bom, tão imenso que me fez perder a noção de mim. Não sei, moço, eu não sei exatamente o que me prendeu a você. Só sei que agora estou aqui, presa, imóvel — e sem pressa de sair. Deixa eu morar no seu abraço? Rabisco seu nome nas minhas incertezas, desenho seus olhos na minha saudade, vejo o seu sorriso em todos os cantos da minha calmaria. Acho que você combina com o meu caos. Será que você pode me organizar? Vejo a imagem de nós dois que vai dançando na minha mente desde que acordo até a hora de dormir, isso quando não aparece nos meus sonhos. O que isso significa? Você sabe me dizer? Será que você nos vê também? Eu não sei mais o que escrever para explicar o que sinto por você, moço, porque você me deixa confusa. Como explicar o que nem eu entendo? É tudo meio estranho desde que te conheci, não estou me reconhecendo. Não sei mais o que estou sentindo, não sei mais o que estou dizendo, não sei. Mas esteja por perto quando eu descobrir. Do amanhã? Não consigo prever. Do amor? Não sei dizer. De nós? Não sei o que vai ser. Quer fazer parte das minhas confusões? Ainda não sei que lugar você ocupa no meu espaço. Eu só quero saber o que você fará comigo quando eu estiver em você. Faça alguma coisa, moço, porque eu não sei o que fazer com você em mim. 


Texto publicado originalmente na Confraria dos Trouxas.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Você

Vejo o céu azul
e lembro dos seus olhos
Vejo as estrelas no céu
e lembro do seu sorriso.

Vejo as rosas vermelhas
e lembro dos seus lábios
Vejo seu corpo
e lembro da mais bela escultura.

Vejo seu amor
e lembro de mim
Vejo meu amor
e lembro de você.


(Por Murilo Barth, aluno e poeta meu).

sábado, 2 de novembro de 2013

Lareira




Há algo que eu preciso lhe dizer, mas não consigo explicar. Há coisas que eu quero te contar, mas não sei que palavras usar. Vejo a imagem de nós dois que vai dançando na minha mente desde que acordo até quando eu me deito para dormir e, não satisfeita, ela ainda aparece nos meus sonhos. O que significa isso? Você sabe me dizer? Será que você nos vê também?

O inverno começou ontem e congelou em mim as lembranças de nós dois. Foi nessa época, há um ano, que vivemos o melhor do nosso amor. Aliás, era amor? Você me dizia que sim e eu concordava com um beijo, mas hoje eu já não sei dizer. Lembra de quando nos deitávamos diante da lareira e você me abraçava e me aquecia mais do que o próprio fogo? Você me queimava, me consumia, me reduzia a cinzas toda vez que me amava. E, feito fênix, eu renascia para você me matar de novo. Você era meu fusível, meu combustível, a causa da minha morte e a minha fonte de vida. Até que você sumiu. E eu senti que havia morrido definitivamente.

Foi difícil quando acordei e não te vi mais ao meu lado. Para onde você foi? Nunca consegui arrumar a bagunça que deixamos na frente da lareira. Ainda estão lá os cobertores, as taças, a garrafa vazia do vinho que nos aqueceu ainda mais, os travesseiros, minhas roupas, nossos cheiros, nosso suor. Nunca consegui arrumar a bagunça que você deixou em mim. É tudo meio estranho desde que você se foi. 

Será que eu devo lhe mostrar o que eu achei? Será que eu devo lhe contar o que eu vejo? Será que eu posso lhe dizer que você ainda me queima? Será que você foi para sempre? Ou será que está voltando? Será que eu renascerei um dia? Será que eu ainda sei ser sem você? Eu pensei que seria sua para sempre, mas acho que estava enganada. O eterno nunca nos pertenceu.

Você, que sempre me queimava, de repente me congelou. Hoje, nem mesmo a lareira é capaz de me aquecer, de acabar com o frio dessa casa, de tirar o inverno que invadiu a minha alma. Cadê você pra me acender? 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Obrigada por não ler

Ignore o que vou dizer, eu só preciso escrever. É a única forma que encontro de não sufocar com as palavras que tiram a minha paz, que bagunçam-me por dentro. Eu só preciso que elas saiam de mim e encontrem um pedaço de papel onde possam repousar — e morrer sem serem lidas. A escrita pacifica toda essa confusão que as palavras me causam. Eu escrevo para me salvar de mim.

Eu só queria lhe dizer que eu ainda penso em nós, precisava contar o que sinto, mesmo depois de tanto tempo desde que você partiu. Sei que é uma questão de se acostumar com a sua ausência, mas como se eu não consigo nem me acostumar comigo?

Foi naquela madrugada insone que você voltou a me atormentar. Fechei o livro que me contava como eram os finais felizes e desejei ter um, também. “Como esperar por finais felizes se eu nem sequer tenho começos?”, pensei e ri de mim mesma. Lembrei de quando você me falava sobre o amor, dos laços, dos nós, de nós. O silêncio deixado pela ausência da sua voz me chamando pela madrugada me deixa ainda mais só. Acho que o pior silêncio é aquele que nos faz ouvir os próprios pensamentos. Estendi a mão e liguei o rádio, que sussurrou o nosso blues preferido. Chorei. Tudo à minha volta me trazia você e eu não tinha mais como fugir. Desliguei o rádio e os pensamentos. Pedi que o silêncio tivesse compaixão de mim e me deixasse em paz, que levasse você para longe, que calasse a sua voz que ainda ecoa entre essas paredes que parecem rir de toda a minha paranoia. Chorei. Apaguei a luz e a escuridão me envolveu, assim como fez a solidão quando seus braços me deixaram.

Obrigada por não ler.  Estou bem melhor agora. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Queimemo-nos

A ebriedade daquela madrugada me torturava a cada segundo que se passava. O silêncio que tomou meu quarto em chamas — porém tão frio  me fez imaginar a perda daquilo que jamais ostentei ter ganho, e sobretudo, a possibilidade de se tornar vitalício um amor sem sal, sem açúcar  sem nada. Perderam-se por entre as confusões mentais pelas quais eu passo diariamente todos os direitos e deveres que me foram impostos para levar uma relação estranhamente desamorosa por algum tempo.

A verdade é que eu não sei lidar.

As palavras que por puro impulso escorrem por entre meus dedos sempre serviram como meu ponto de fuga. Quem nunca fugiu zigue-zagueando as vírgulas e se despediu a cada parágrafo? Foram inúmeras as vezes em que falei dos meus amores com uma pitada de ódio, até porque a própria vida tem seus momentos de escuridão. Embriaguez mental.

Enche-se o copo com dois litros de alma gelada e tomam-se os corpos com o líquido mais quente que existe. Sua frieza quase me congelava, seu fogo sempre me consumia. E o quarto continua em chamas — mas gelado sem você.

Bebi sua saudade, tomei nossas lembranças, quase me afoguei no vômito daquilo que um dia foi o nosso amor. Embriaguei-me de você outra vez. Tudo em volta gira e me traz você, tudo o que tenho é o que você não levou quando se afastou de mim deixando-me apenas com a esperança de que um dia voltaria. Tem noção do quão ridículo me senti vestindo-me apenas com esperanças? Você desnudou meus sentimentos e me despiu de todo e qualquer amor próprio. Agora, tudo o que desejo é que esse fogo me consuma junto com as lembranças de tudo o que um dia foi nosso, de tudo o que ainda me prende a nós.


(Texto escrito com Guilherme Latorres (@inaptidao) que sabe dar às palavras um ar de encantamento).