A
ebriedade dessa madrugada insone invade meu quarto e tonteia meus pensamentos
que se perdem e tropeçam e caem em cima de você. Por que você ainda está aqui?
Já pedi que saísse, que fosse embora tão rapidamente quanto chegou na minha
vida, que me deixasse em paz e só. Ao meu lado na cama apenas um espaço vazio e
no lençol branco ainda estão as marcas do vinho que bebemos e depois rimos e nos
abraçamos e nos amamos tão ardentemente pela última vez. Pensei que
incendiaríamos.
Você
deixou marcas no lençol e na minha alma.
Num
ímpeto de loucura e saudade e fúria eu arranco o lençol e me aperto contra ele
— ainda sinto o seu cheiro — e o jogo no canto do quarto numa tentativa de
afastar de mim as lembranças que você deixou aqui e que agora me fazem perder a
noção do tempo e me tiram a sobriedade. Em vão.
Sento
na cama e tomo um gole de vinho que esquenta minha boca que antes guardava os
beijos seus e que desce rasgando a minha garganta tão cheia de nós e os desata.
Finalmente consigo chorar. A cada gole de vinho vou me desfazendo de nós e me sentindo
mais livre de você. Preciso desatar a gente, nos desfazer. Não entendo mais o
que sinto, não sei mais o que pensar.
Embriaguez
(senti)mental.
O
cheiro do álcool anestesia meus pensamentos, o vinho me embriaga e amortece a
minha dor. Meu coração acelera e eu transpiro você, é como se eu estivesse te
expulsando de mim pelos poros. Você escorre pela minha pele assim como suas
mãos deslizavam pelo meu corpo molhado nas noites quentes de outono quando você
quase me consumia e meu suor se misturava ao seu e nossas peles quase se
fundiam num misto de amor e loucura e paixão.
Eu
absorvi você.
Tomo
mais um gole de vinho e choro mais um pouco. Tudo gira fora e dentro de mim e
meus pensamentos esbarram com você e caem a todo instante. E eu caio também.
A
taça que seguro agora com as duas mãos está quase vazia e eu estou quase me
esvaziando de você. Preciso de um banho para me lavar de ti. A água que toca
minha pele me lava e leva embora os vestígios daquilo que um dia foi o nosso
amor. Eu deito e choro e durmo tendo a solidão como companhia e ela me abraça como
um dia você fez.
Bebi
sua saudade a noite inteira e estou com ressaca de você. Sinto vontade de
vomitar o que restou de você em mim.
Que profundo, Dani! Deu pra sentir daqui, viu. Tudo tão difícil isso que fica das partidas. Ao menos, você tem a escrita para não se perder totalmente na embriaguez e faz isso muito bem.
ResponderExcluirSe cuide.
Meu, teus textos são perfeitamente incríveis! Também tenho um blog, e do fundo de meu ser, espero um dia escrever como escreves. Mesmo sabendo que cada um tem seu jeito de usar palavras e tudo mais, acredito que possamos assermelhar-nos a quem apreciamos, e com certeza você está na barra de favoritos.
ResponderExcluirGrande abraço, com afeto dobrado e carinho multiplicado. ♥
Voltei a ler você. Voltei a ter o coração leve para tal. Suas linhas são tão intensas que o coração precisa estar leve para poder ler sem que transborde pelos olhos. Obrigado. Eu precisava voltar a ler você.
ResponderExcluirTão usando seus textos nesse perfil aqui, hein? https://www.facebook.com/IrysDufner
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